• Waleska Resende

Zona de conforto?

Primeiramente, quero esclarecer que EU acredito que assumir e vivenciar a nossa identidade é um direito e não um privilégio. Sendo assim, as minhas considerações neste post estarão relacionadas às pessoas que se sentem de uma maneira específica, em um momento peculiar. Então, hoje, talvez você não se identifique com nada do que está escrito a seguir. Mas eu arrisco afirmar que em algum momento da sua vida isso tudo já fez sentido. Tenho certeza que sim.


Atendendo a pedidos, falaremos sobre zona de conforto. Parece um tema bastante explorado, mas é impressionante como nunca perde a relevância, nem esgotam-se os debates. Simplesmente por ser difícil aceitarmos o desafio de enfrentar aquilo que não conhecemos, deixar de lado aquele sentimento bom de não sentir medo, ansiedade ou risco. Então nos mantemos ali naquele lugar fácil e familiar, em que produzimos resultados satisfatórios. Automáticos e robóticos, mas é seguro.


A sensação de dominarmos nossa rotina, pensamentos e sentimentos, de mantermos a ilusão de que estamos totalmente no controle da nossa vida e que nada será capaz de nos tirar essa tranquilidade, essa “paz”, faz com que nos contentemos com o que conquistamos, acomodemos.


O curioso é que, ainda que o costume nos mantenha confortáveis, nesse lugar tão morno e aconchegante, aquela faísca de inquietação fica ali instigando, sussurrando no seu ouvido, chamando sua atenção, dando sinais de que alguma coisa não está legal e que você precisa (deve e pode) agir, mexer-se.


Sacodir essa poeira e sair em busca do que te falta. E o que te falta, às vezes, é aquele friozinho na barriga, a sensação do descobrir, desbravar, conquistar, realizar, vencer. A coragem de encarar o trajeto do não saber e ter que buscar desenvolver novas habilidades e competências. A dança do interagir, pesquisar, conhecer novas pessoas e métodos, sentir-se viva.


Você tenta ignorar essa “vozinha chata”, faz de tudo para silencia-la. Você não compreende porque uma pessoa com tantas conquistas e estabilidade pode não estar feliz. Pior: você se sente ingrata. Sente-se em falta com Deus, que te presenteou com tantas bençãos, mas que não são suficientes para você se sentir satisfeita. Você esquece que Deus conhece seu coração e sabe tudo sobre a constante insatisfação humana. Você só sente o peso do não se contentar.


E não é só isso. Além de se sentir em dívida, culpada, você critica as pessoas que ousam se aventurar e as que conquistam alguma coisa. Lá nas profundezas do seu ser você sabe que critica e julga porque inveja. Um processo que reflete, de forma objetiva (curta e grossa mesmo), a sua falta de coragem de admitir não apenas as suas limitações, mas também sua falta de disposição para começar de novo. Não é impotência, você sabe que é só mais uma desculpa. Mas você não pode admitir, principalmente em voz alta.


Todos esses sentimentos são normais. Somos humanas, classmates! Todas nós possuímos sentimentos primitivos, egoístas. Instintivo, mecanismo de defesa. Todas nós possuímos um lado que não gostamos, negamos, reprimimos em nosso ser e escondemos do mundo. Ninguém é perfeito ou 100% bom. A dualidade é inerente a tudo que há. Portanto, fiquem calmas! O que realmente importa é a forma como você decide agir.


Em geral, a sua primeira reação ao se deparar com uma situação indesejada é a negação. Depois vem a raiva, o sentimento de injustiça, o culpar os outros. Natural. Só que isso cessa e evolui para a aceitação. A nobreza surge aqui, quando você reconhece conscientemente que precisa mudar aquilo que te incomoda. Quando você decide explorar o que existe fora da sua zona de conforto e vibra pelas conquistas das outras pessoas. Entende que é perfeitamente possível para você também. Mas que a responsabilidade é toda sua sempre.


Há alguns sinais que sugerem que a zona de conforto está te afetando de forma negativa e que você anseia, ainda que inconscientemente, por novas descobertas: falta de confiança; ansiedade; desânimo; falta de motivação; estresse; sentimento de incompletude; constante questionamento sobre suas escolhas (o que você fez da vida); autocrítica exagerada; excesso de desculpas; vida profissional estagnada; críticas, julgamentos e comparações sobre as conquistas de outras pessoas; preocupação com a opinião alheia. Resumindo: você não acorda feliz.

Nossa vida é composta por ciclos. Vivemos inúmeras etapas, estabelecemos objetivos, sonhos, metas, seguimos em busca dessa realização. Mas o que acontece quando atingimos um objetivo? Criamos outro. Por esse motivo, revezamos entre zonas de conforto e zonas de transição. Essa alternância não é imediata: mantemo-nos em conforto quando conquistamos algo, enquanto vivenciamos a felicidade dessa conquista. Somente quando a aquela "vozinha inquieta" volta a cochichar, alertar, inicia-se a transição. Se (ou quando) você escolher inicia-la.


No fim, é um ciclo que vai se repetindo a cada conquista e cada novo sonho. Cada pessoa tem seu próprio tempo. Cada uma tem suas próprias expectativas, propósitos, metas, objetivos, desejos. Cada uma sabe o que lhe faz feliz. É isso que deve balizar as suas decisões de vida.


Por fim, considero importante salientar que, na verdade, não saímos da zona de conforto. Ela é expandida. Ao decidirmos deixa-la, transitamos pelas zonas do medo, do aprendizado e do crescimento até que conquistamos nosso objetivo. Nessa jornada, enfrentamos novos desafios, adquirimos novos conhecimentos e habilidades. Desenvolvemos novas competências e, ampliando nossas capacidades, aumentamos a quantidade de coisas que aprendemos e que, por isso, tornam-se confortáveis.


Manter o foco (saber dizer não), reconhecer os seus limites e pensar positivo (ordenar que sua mente inconsciente obedeça sua mente consciente) são muito importantes para sua trajetória. Reitero: você tem o direito de vivenciar sua identidade, de escolher ser e fazer o que quiser. Isso não deve ser um privilégio.



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