• elizabethbennet34

Tempo de adaptações

Acho que gostaria de dividir meus pensamentos aqui. São menos certezas e mais dúvidas. Mas quem não está se sentindo assim nesses dias? Estou passando por vários momentos nessa reclusão e estou tentando coloca-los em ordem cronológica sem privilegiar ou dar mais ou menos importância a nenhum deles. Entre o momento em que soubemos de uma doença terrível e o momento em que ela chegou até nós, foram 3 meses sofridos, assistindo o que estava se passando na Ásia e Europa. Me doeu receber a notícia de tantas mortes e imaginar como tudo seria quando chegasse ao Brasil, com sua enorme população e a falta de condições de várias pessoas, além do medo particular de ter uma doença preexistente de risco, de ter uma mãe que além de idosa já sofre de dificuldades respiratórias e de parentes e amigos que atuariam na linha de frente de combate a pandemia. Bom, até aí era um exercício de imaginação e planos: caso aconteça isso, farei aquilo e etc. Mas, de fato, como realmente me senti? Esclareço que é a primeira vez que tento colocar isso por escrito, então pode ser que saia uma verdadeira loucura....


Lá vai minha peça em 7 atos:

- Ato 1: mantenha a calma e confie. Mas tome as devidas providências. Entre em contato com seus médicos e solicite um atestado médico e combine com mainha (que é tinhosa) como farão tudo, para que ela não se sinta tolhida de suas decisões. Providências tomadas. Sensação: tudo sob controle!

- Ato 2: aproveite o tempo. Por uma estranha combinação do universo, iniciou o meu período de férias. Então estava me enturmando com o confinamento, com todo o tempo possível que as férias proporcionam. Adaptação: sob controle!

- Ato 3: organize seu tempo de ócio. Aprendi a bordar! Ou seja, adquiri habilidades no período, o que consta em vários textos de adaptação como sendo algo excelente! Sensação: U-hu! Surfando a onda!

- Ato 4: finalmente a volta ao trabalho. Afinal qual a graça de tanto tempo nas férias se não é possível ir a lugar nenhum?! Sensação: Oops! Primeiro sinal de insatisfação recolhida.

- Ato 5: volta ao trabalho. Iniciei o home office com a dificuldade de não conseguir conexão todos os dias. Huuuumm... primeiras dificuldades à vista. Mas fui orientada a fazer apenas o possível. Eu? Fazer apenas o possível? Depois de anos fazendo o impossível? “Isso não vai dar certo...”. Sensação: frustração - Ato 6: burle o sistema, pero no mucho. Que tal intercalar o home office com o office office? Isso é insano, correto? Correto. Mas a frustação foi causando uma insanidade. Vamos listar: insegurança, empregabilidade, frustração, depressão e um mínimo de raciocínio... Raciocínio? Sim. Sobrou um pouco. Ao invés de voltar ao posto de trabalho oficial, escolheria uma unidade em que só trabalham 3 pessoas. Sensação final: estou enganando quem? - Ato 7: nada está no controle! Com a ansiedade crescendo, veio a insônia e o ganho de peso.... Veio o pensamento de retorno extra oficial ao trabalho... Mas com máscara! Ou seja, a certeza de que a tristeza pode ser uma péssima conselheira. Então... ainda estou patinando nessas inseguranças e incertezas. Uma alma penada extremamente viva, sem dormir, de olho arregalado, assombrando as noites da casa. Mas tá tudo bem. Estamos vivos! Eu, que estou escrevendo, você que está lendo. Ou desistiu na metade? Por favor, não desista... e diga, como você está atravessando esse período? Singrando águas plácidas ou enfrentando infernos pessoais? Mas uma coisa é fato: fazendo cada um a sua parte chegaremos do outro lado juntos! Ninguém solta a mão de ninguém! (passando o alquingel, claro....)


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